INTERVENÇÕES

A história de uma Casa de campo

Sou Gabriela Carreiro, proprietária do Moinho da Bibi.

O Moinho da Bibi é uma unidade de Turismo em Espaço Rural classificada na modalidade de Casa de Campo.

Foi adquirido já em ruínas

O moinho é classificado como Património Regional.

É um moinho de vento velhinho imponente onde o vento sopra e cantam os passarinhos.

Fica localizado na freguesia de Candelária a 17km do aeroporto de Ponta Delgada

A paixão pelo meu moinho vem do tempo de criança onde passei parte da minha infância. O meu pai, no tempo, tirou algumas fotografias do moinho ainda em funcionamento que foi a inspiração do logótipo que pusemos na entrada do moinho, nas loiças, nos lençóis e nos atoalhados.

A própria recuperação da cúpula do moinho foi desenhada com base naquelas fotografias.

Abri a minha unidade há 5 anos. Foi uma grande e boa caminhada e uma experiência única e sempre surpreendente.

O que mais distingue o Turismo em Espaço Rural da hotelaria convencional é exactamente o acolhimento.

Cito da enciclopédia:” é uma acção ou efeito de acolher, é um recebimento

e uma atenção que se presta a uma pessoa. Acolher significa receber à sua presença, atender, ouvir, recolher, hospedar, agasalhar, e resumindo acolher de braços abertos”, como nós açorianos bem o sabemos fazer.

O nosso acolhimento começa no aeroporto onde esperamos o hóspede com o melhor sorriso e simpatia dando-lhe as boas vindas à ilha. Indicamos o rent a car, o posto de turismo ou outros pontos de interesse e. após os procedimentos para a recolha do carro, onde estamos sempre presentes para qualquer eventualidade, fazemos então o serviço de “follow me” que muito os encanta até à unidade de turismo, onde ai ser-lhes-á dada as boas vindas.

Depois de uma breve visita é importante o preenchimento do boletim para o serviço de estrangeiros e fronteiras para os hóspedes não nacionais e o registo no livro de hóspedes para posteriormente poder ser feita a estatística mensal regional.

É sempre agradável fornecer um mapa da ilha dando sugestões sobre o que pode ver, o artesanato, o que temos de mais típico, as praias e restaurantes mais próximos, animação, assim como trilhos e festas de cada freguesia onde a unidade está inserida. Conforme o interesse do hóspede, chegamos a gastar nesta apresentação mais de uma hora.

Como boas vindas é “refrescante” ter uma cesta com alguns produtos nossos como compotas, queijos, bolos lêvedos, ananases, etc.

Se a viagem vem na sequência de um evento como por exemplo lua-de-mel ou aniversario, ai é agradável oferecer flores à senhora e uma garrafa de vinho, sempre nosso, ao senhor, tudo isto, acompanhado de um cartão assinado de boas vindas e desejando uma boa estada.

É igualmente importante ter uma boa qualidade de serviço, personalizado, estando disponível 24 horas.

Os nossos hóspedes costumam contactar-nos de qualquer parte da ilha para esclarecer duvidas ou pedir a nossa ajuda sobre qualquer assunto.

Em meados de Agosto foi capa de jornais regionais e estrangeiros a estória sobre um casal de ingleses que recolheram um cão abandonado levando-o consigo para Inglaterra gastando em todo o processo cerca de 6 mil libras. Pois bem, o caso passou-se no nosso moinho, este casal foi nosso hóspede e fomos nós que coordenamos todo o processo de “repatriamento” do animal de nome Mears. Ultrapassámos toda a imensa burocracia onde tivemos que defrontar muita falta de apoio e de esclarecimentos.

O que importa realçar aqui ó a confiança que tiveram em nós, de tal modo que deixaram o cão ao nosso cuidado pois eles tiveram de regressar antes do cão -. a propósito — por este serviço não cobrámos qualquer valor nem tão pouco o reembolso das despesas que tivemos de fazer, tal foi o envolvimento que a certa altura já existia.

A estória deste animal teve um final feliz após muitas peripécias.

Este casal regressa. em Outubro novamente ao moinho, para junto connosco, criar uma fundação de apoio a animais abandonados para a qual já começou a recolha de fundos em vários países.

Em cada unidade deve haver um preçário da época assim como o contacto do proprietário, hospital, policia, bombeiros, SOS e táxis.

Ter sempre a casa com decoração alusiva à época. Por exemplo no Carnaval por que não fazer uma arranjo com as nossas belas limas de agua

—algo típico e nosso assim como pelo natal o trigo e a ervilliaca. Para nós, estas coisas são banais, mas para os hóspedes não são e isso faz a tal diferença e suscita a curiosidade dos hóspedes dando azo a mais conversa sobre os nossos costumes e tradições.

Outra época também bonita para os nossos hóspedes refere-se aos romeiros e as festas do Divino Espírito Santo e por exemplo os nossos tradicionais “Maios”.

Este ano no domingo da Festa convidei os meus hóspedes acabadinhos de chegar da Holanda a irem assistir e participar numa função do espírito Santo e almoçar na casa do mordomo.

Obviamente que houve logo um intercambio de culturas e uma procura do saber das nossas tradições. Foi um sucesso.

Numa outra altura ao explicar as procissões das freguesias o entusiasmo do hóspede foi tal que acabei por convidá-lo a participar até na feitura dos tradicionais tapetes 4e flores.

Tudo isto faz a tal diferença e faz com que o hospede se sinta em casa

É agradabilíssimo ler no livro de honra o que os hóspedes sentiram e expressaram sobre a ilha e sobre a unidade.

É recompensador ver que fazem sempre referencia as belezas naturais da ilha ao acolhimento que têm e aos materiais usados na recuperação da unidade assim como a decoração

Posso-lhes contar mais um exemplo que se passou na minha unidade:

Era época de Natal num daqueles dias de tempestade, nevoeiro, chuva, vento, trovoada e falta de electricidade. Enquanto o meu marido e filha faziam o “follow me service “, fiquei no moinho, fui acendendo velas, liguei o aquecedor, fui criando o ambiente e quando a senhora entrou olhou ao redor e disse: “só pelo acolhimento valeu a viagem!”

São muitas as estórias agradáveis já passadas neste moinho que tem tão poucos anos de vivência com turismo.

Embora estas situações e as calorosas mensagens deixadas pelos nossos

hóspedes sejam um excelente meio de divulgação da unidade, não devemos

descuidar de outros meios de promoção e divulgação tal como a lnternet para a qual é fundamental uma boa página com bons motores de busca

É claro que ser sócio da Associação de Turismo em Espaço Rural - Casas Açorianas já é meio caminho andado , pois paga-se pouco e tem-se uma boa publicidade em revistas, jornais,, brochuras, feiras, workshops.

Todas as nossas unidades são diferentes, bonitas, acolhedoras, e a única coisa que há em comum é a paixão com que cada um de nos “trata” a sua unidade.

Temos que ser cada vez mais fortes e melhores.

Não somos concorrentes uns dos outros, mais, diria que somos complementares uns dos outros.

O nosso turista cada vez mais procura a diferença das nossas ilhas em relação a outros destinos, pelas belezas naturais, whalewatch, pesca, equitação, enfim a procura das nossas tradições e valores.

Somos um povo com História e vamos fazer de cada unidade de turismo

em espaço rural uma página onde o passado e presente andam de mãos dadas como se pode ler na quadra.

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